24, dia da Nuria (a que não é santa mas faz milagres)

by Carolina Mendes

(Pra minha mãe, que hoje faz aniversário. E pro meu irmão, que as vezes eu acho que foi feito da minha costela de tão meu.)

Sabe a vida, essa fanfarrona?

Acaba que eu que sempre achei que fosse do time do pai (que ficou desfalcado quando ele morreu), e que era menos do time da mãe que meu irmão.

Aí o irmão sai de SP para trabalhar no Rj e ficamos as duas aqui, só as meninas. E tudo muda, e a vida começa a andar e as linhas gritam que precisam ser recolocadas no lugar certo.

Proponho então pegar a linha que eu criei e me deixava de um lado, e meu irmão e minha mãe de outro e fazer um círculo com os 3 dentro.

Proponho? Bobagem minha. Minha mãe fez isso quando eu nasci: desenhou em volta de nós duas um círculo enorme, imenso, infinito, grande pra caralho; que é pra dar espaço pra todo mundo existir como quiser mas sem deixar ela de fora. E acreditem, de vez em quando fica cada um num ponto distante, formando um triângulo equilátero, mas ainda dentro do círculo da Nuria.

Nem perca tempo tentando nos enganar, Nuria. A gente conhece a mãe que tem, tão bem quanto você que vive por aí levantando a sobrancelha e deixando implícito “conheço meu gado”.

E assim criou 2 espanhóis que de gado não tem nada, no máximo algo de touros.

Tudo obra sua. E do imenso círculo que nos preparou pra ir pelo mundo.

E pra voltar, sempre, ao que importa.

(Intro)

 

Volver

 

Yo adivino el parpadeo
De las luces que a lo lejos
Van marcando mi retorno

Son las misma que alumbraron
Con su pálido reflejo
Unas horas de dolor

Y aunque no quise el regreso
Siempre se vuelve
Al primer amor

La vieja calle
Donde le cobijo
Tuya es su vida,
Tuyo es su querer

Bajo el valor de las estrellas
que con indiferencia
Hoy me ven volver

Volver…
Con la frente marchita
La nieve del tiempo
la aclaro en mi cien

Sentir…
que es un soplo la vida
que veinte años no es nada
que febril la mirada
Hurrante entre la sombra
Te busca y te nombra

Vivir…
Con el alma ferrada
A un dulce recuerdo
que lloro otra vez

Tengo miedo del encuentro
Con el pasado que vuelve
A enfrentarse con mi vida

Tengo miedo de la noche
que poblada de recuerdo
Encadenan mi soñar

Pero el viajero que huye
Tarde o temprano
Detiene su azar

Y aunque el olvido
que todo lo destruye
aya matado
A mi vieja ilusión

Cuarto escondida
Y una esperanza humilde
que es toda la fortuna
De mi corazón

Volver…
Con la frente marchita
La nieve del tiempo
La aclaro en mi cien

Sentir…
que es un soplo la vida
que veinte años no es nada
que febril la mirada
herrante entre la sombra
Te busca y te nombra

Vivir…
Con el alma ferrada
A un dulce recuerdo
que yo notare…

(Antes que reclamem, eu sei que Volver é um tango do Gardel, mas escolhi esta versão)