Neosaldina Chick

Month: fevereiro, 2012

Feo, fuerte y formal

by Carolina Mendes

É o plano.

Não que meu passado remoto me condene, muito pelo contrário. Meu final de semana passado me condena mais do que os primeiros 16 anos da minha vida. Mas eis que surge no FB um convite pra um tal de churrasco da escola em que eu fiz o 1grau.

Aí, como consequência o Facebook começou a me indicar pessoas que estudaram comigo na época. Como lidar?

(Garrafa de Jack- check)

Alugo um filho?  Alugo um drogado? Simplesmente não apareço?  Faço uma tatuagem? Monto uma banda, me caso em Vegas?

-Que exagero Carolina. Quer ir vai num quer ir num vai.

Certo, mas e a curiosidade? E o tanto de coisa que pode acontecer? Lembro de pouquíssima coisa dessa fase da vida. Mal me lembro das faculdades, imagina se me lembro de escola primária…

Vou disfarçada de presente “Feo, fuerte y formal”, duvido que me reconheçam.

And Jack will be my date.


24, dia da Nuria (a que não é santa mas faz milagres)

by Carolina Mendes

(Pra minha mãe, que hoje faz aniversário. E pro meu irmão, que as vezes eu acho que foi feito da minha costela de tão meu.)

Sabe a vida, essa fanfarrona?

Acaba que eu que sempre achei que fosse do time do pai (que ficou desfalcado quando ele morreu), e que era menos do time da mãe que meu irmão.

Aí o irmão sai de SP para trabalhar no Rj e ficamos as duas aqui, só as meninas. E tudo muda, e a vida começa a andar e as linhas gritam que precisam ser recolocadas no lugar certo.

Proponho então pegar a linha que eu criei e me deixava de um lado, e meu irmão e minha mãe de outro e fazer um círculo com os 3 dentro.

Proponho? Bobagem minha. Minha mãe fez isso quando eu nasci: desenhou em volta de nós duas um círculo enorme, imenso, infinito, grande pra caralho; que é pra dar espaço pra todo mundo existir como quiser mas sem deixar ela de fora. E acreditem, de vez em quando fica cada um num ponto distante, formando um triângulo equilátero, mas ainda dentro do círculo da Nuria.

Nem perca tempo tentando nos enganar, Nuria. A gente conhece a mãe que tem, tão bem quanto você que vive por aí levantando a sobrancelha e deixando implícito “conheço meu gado”.

E assim criou 2 espanhóis que de gado não tem nada, no máximo algo de touros.

Tudo obra sua. E do imenso círculo que nos preparou pra ir pelo mundo.

E pra voltar, sempre, ao que importa.

(Intro)

 

Volver

 

Yo adivino el parpadeo
De las luces que a lo lejos
Van marcando mi retorno

Son las misma que alumbraron
Con su pálido reflejo
Unas horas de dolor

Y aunque no quise el regreso
Siempre se vuelve
Al primer amor

La vieja calle
Donde le cobijo
Tuya es su vida,
Tuyo es su querer

Bajo el valor de las estrellas
que con indiferencia
Hoy me ven volver

Volver…
Con la frente marchita
La nieve del tiempo
la aclaro en mi cien

Sentir…
que es un soplo la vida
que veinte años no es nada
que febril la mirada
Hurrante entre la sombra
Te busca y te nombra

Vivir…
Con el alma ferrada
A un dulce recuerdo
que lloro otra vez

Tengo miedo del encuentro
Con el pasado que vuelve
A enfrentarse con mi vida

Tengo miedo de la noche
que poblada de recuerdo
Encadenan mi soñar

Pero el viajero que huye
Tarde o temprano
Detiene su azar

Y aunque el olvido
que todo lo destruye
aya matado
A mi vieja ilusión

Cuarto escondida
Y una esperanza humilde
que es toda la fortuna
De mi corazón

Volver…
Con la frente marchita
La nieve del tiempo
La aclaro en mi cien

Sentir…
que es un soplo la vida
que veinte años no es nada
que febril la mirada
herrante entre la sombra
Te busca y te nombra

Vivir…
Con el alma ferrada
A un dulce recuerdo
que yo notare…

(Antes que reclamem, eu sei que Volver é um tango do Gardel, mas escolhi esta versão)

by Carolina Mendes

Saudade de escrever com a cabeça e não com o coração ou o umbigo. Vcs já estão me odiando?

Mas anda assim, escrever com a cabeça só no trabalho.

Precisamos de um plano.

;)

Sábado eu tava pensando na cama

by Carolina Mendes

e foi até parar na TL do twitter, assim desconexo, sem motivo ou interação. Sem continuar conversa nenhuma ou ter usado o tweet de ninguém como gancho. Sei lá, mil coisas:

Aí vc percebe que o ápice da sua vida já passou.
 
 
Aí vc percebe que tem a sorte de não ter uma foto sequer desse momento que foi o ápice. Pq se vc tivesse, ela te arruinaria.
 
Aí vc percebe que deveria SEMPRE ter uma garrafa de Jacl Daniel’s por perto, pro caso de uma epifania dessas acontecer.


Carolina MendesCarolina Mendes @carolinamende
s

Aí vc percebe que faz mais sentido ser um mendigo alcoolatra do que alguém preso numa vida mediocre. 

 

Aí vc percebe que devia sair da cama só pra comprar uma garrafa de Jack, e voltar pra cama. Mas não sabe onde está sua calça.

Carolina MendesCarolina Mendes @carolinamendes

Aí vc percebe que a única vantagem de ter uma vida bege, programada, e mediana deve ser sempre saber onde vc deixou sua calça.


Carolina MendesCarolina Mendes @carolinamendes

Aí vc percebe que a vantagem de não ter a garafa de Jack aqui, é que se tivesse e ela acbasse, vc sairia pra comprar outra sem calça.”

 

 O ápice absoluto da minha vida já passou, isso é certo. Não é uma constatação deprimente, ou pessimista. É o fato de que a combinação de acontecimentos, encontros, sentimentos, sensações, tom de azul do céu, acordar e ver as certas ligações perdidas, e um e-mail nada perdido na inbox, são fatores que não vão mais se cruzar.

Seguem as linhas, infinitas pelo universo.

Cada qual pro seu lado.

Tenho 2 sortes: 1- perdi meu telefone que tinha a imensa maioria das nossas mensagens 1 semana antes de você morrer; 2- não tenho nenhuma foto com você. Não tenho nenhuma foto simbólica dessa fase, porque eu tinha certeza que era o prólogo e não o epílogo.

Vai ter Oscar. Projeto ver todos os filmes do Oscar tem ajudado bastante. E o trabalho.

E que opção eu tenho senão continuar vivendo? Nenhuma.

Pois que eu seja como taça lascada, faltando um pedaço, com um lado cortante e o outro intacto. E que me observem bem para não tentarem beber pelo lado errado e defeituoso: pode fazer sangrar.

E eu? Escondo a parte lascada com os olhos cada dia mais escuros. E vou melhorando assim: 4 passos pra frente e 3 pra trás, que eu não sou mulher de colocar a ponta do pé na água da piscina pra ver se está fria antes de mergulhar.

Mergulho, me fodo, saio e fico tremendo no sol até o calor chegar nos ossos. E outro dia tento de novo.

Assistente e Malvadezas

by Carolina Mendes

Preciso de colaboradores novos pro Malvadezas(1)

e(2) de um(a) assistente pra trabalhar como redator(a) assistente(a)(#brinks) jr.

Pro caso número 1, vcs entram aqui, seguem instruções e eu juro que passarei madrugadas lendo. Preciso de convidados pros domingos e novos colaboradores fixos, então caprichem. Deixem nos comentários do Outras Malvadezas também, links para eventuais blogs ou publicações alé no MyIMemory.

Pro caso número 2, tá mais complicado. Primeiro pq não pode ser remoto, tem que ser presencial. Segundo, a pessoa tem que ser de SP, terceiro tem que escrever bem. Acha que é o seu caso? Mande e-mail com: currículo, links de textos, endereço de FB, Twitter  e uma introdução do porque você quer a vaga, para carolinaminhafilha@gmail.com . Não, não é nada relacionado ao BBB, só meu e-mail que é igual ao infame site. MANDEM POR E-MAIL. Nada de deixar pergunta aqui ou no meu twitter. Grata.

Apontamento

by Carolina Mendes

(Tem gente que queria ser vários, eu queria ser inteira.)

 

A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.

Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.

Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.
E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.

Não se zanguem com ela.
São tolerantes com ela.
O que era eu um vaso vazio?

Olham os cacos absurdamente conscientes,
Mas conscientes de si mesmos, não conscientes deles.

Olham e sorriem.
Sorriem tolerantes à criada involuntária.

Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.
Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
Um caco.
E os deuses olham-o especialmente, pois não sabem por que ficou ali.

Álvaro de Campos
Presença, 20, Coimbra, Abril-Maio, 1929

(Sim, ainda assim. Ou Sim, finalmente percebi que sou assim: quebrada)

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