Neosaldina Chick

Month: janeiro, 2012

Dia 4

by Carolina Mendes

Muito filme (não perguntem o nome de nenhum), muita cama, muito banho, e a segunda feira chegou pra me tirar da cama.

A gente faz assim, finge que tá bem, um dia após o outro e eventualmente fica menos artificial e você fica bem.

Aos que se preocupam, consegui ter ânimo suficiente pra pintar os olhos de preto e lavar o cabelo de manhã.

Prometo que logo paro de falar disso.

<3

Dia 2

by Carolina Mendes

Você acorda, fica olhando pro teto, vira pro lado, dorme um pouco mais.

Acorda meia hora depois, assiste qualquer merda no YouTube. (Nem sei o que foi)

Aí você trabalha um pouco, lê um pouco. Chora. Toma um banho, demorado. Lembra e odeia todos os filmes que assistiu em que a mocinha sofre e chora no banho, porque você sofre e chora no banho. Chora pra caralho, por muito tempo. Porque o aquecedor é a gás e a água quente não acaba. Mas você sai do banho. Porque a vida segue.

E eu sei que todo dia vai ser assim, sucessivamente. Até o banho voltar a ser só um banho e não um desculpa pra chorar. Eu sei que esse dia chega.

E que os dias e noites voltem a ter menos de infinitas horas.

E você morto e enterrado.

 

I carry your heart in mine

by Carolina Mendes

Eu tinha um caso com um homem casado.

Não chamávamos de caso, chamávamos de noivado. Estávamos noivos. Fazia tudo parecer menos sórdido, e dava a correta dimensão do que isso significava pros dois. Era uma coisa que vinha antes de uma outra coisa que seria um não casamento. O plano era não casar e viver feliz pra sempre.

Lindo, carinhoso, bom amante, inteligente, bem humorado.

Tinha, não tenho mais.

Acabou, Morreu.

Já usei essa frase antes, mas nesse caso foi assim mesmo: morreu. Não o amor, o amado.

Ele morreu. Ontem, acho. Não entendi nada do que me disseram depois do “Nome dele morreu”. Enfartou. Morreu.

Fiquei com as mensagens de texto, os e-mails, quase um ano de lembranças.

E eu não posso ir no velório, eu não posso ir no enterro. O amor que a gente tinha agora só existe no que eu me lembro. E eu me lembro de muita coisa agora, mas eu sei que com o tempo os detalhes se perdem, e a vida continua. E eu quero guardar os detalhes. Todos eles. Eles eram tudo que a gente tinha, os olhares cúmplices, as ligações no meio da noite nos seus infinitos plantões, que mais que outra qualquer coisa, eram um jeito que você encontrou de se poupar das “donas patroas”.

Já enterrei muita gente, mas ele eu nem posso enterrar.

Mas você vai ficar no mesmo cemitério que meu pai, já me contaram. Mais um retângulo de grama pra deitar e chorar por tudo que não aconteceu. Tudo que eu não tive chance de fazer.

Eu esperei, você esperou. As coisas se resolverem. A gente tentou diminuir o estrago que causaria mantendo tudo em segredo. Não tiveram o mesmo cuidado com você. Não te cuidaram, não te pouparam, não te deixaram viver além dos interesses egoístas que eles tinham.

E você criou um pitbull sanguinário dentro do peito. É humanamente insuportável, eu repeti milhares de vezes. “Não dá pra viver assim, meu amor. Vão acabar te matando”. Mataram.

Causa da morte: vida infernal. Carrasco: infarto.

Que me resta? Escrever esse post chorando, ouvir Nina Simone, sonhar que você ainda um dia vai ligar.

Só que você não vai ligar. E, fiquei aqui sozinha. E eu não quero que minha cabeça deixe nenhum detalhe ser esquecido. Tô chorando de saudade de você, do que a gente não teve e de medo dos detalhes escaparem. Queria ligar pra poder me despedir e dizer mais uma vez que te amo. Só mais uma vez. Não posso.

Eu sei que a gente assistiu o show da Ella na cama, mas eu tô doendo demais, preciso da Nina. 

Eu reconheço dor, e eu quero fazer parar

by Carolina Mendes

E só o que eu posso fazer é mandar e-mails e mensagens e dar abraços e beijos demorados quando encontrar pessoalmente.

Se, e quando puder encontrar.

E enquanto isso eu fico aqui esperando a sua dor acabar.

Isso me incluindo ou não.

A vida não tem que ser assim.

Não é uma festa, mas é open bar, pra quem sabe levar.

E tem gente que sabe levar, mas fica preso e eroscado em um fio de costura, uma ponta amarrada no pé da mesa de jantar perfeita da casa perfeita, outra ponta amarrada no tornozelo. E eu sei que não é tão simples, que parece um cabo de aço e uma condenação eterna. Pode vir a ser, se você deixar. E arrebentar essa linda é foda, mas é o jeito de sobreviver. Depois de sobreviver, vem: viver.

Regra 1 da vida: não morrer.

Perfeito é ser leve, e simples e livre.

E se amarrar só ao que faz bem.

Ô George, e esses nossos violões chorando pelos outros?

Mas alguém têm que fazer: : “broken heart healers”. (termo furtado da @mgmyself)

I look at you all see the love there that’s sleeping 
While my guitar gently weeps 
I look at the floor and I see it need sweeping 
Still my guitar gently weeps 

I don’t know why nobody told you 
how to unfold you love 
I don’t know how someone controlled you 
they bought and sold you 

I look at the world and I notice it’s turning 
While my guitar gently weeps 
With every mistake we must surely be learning 
Still my guitar gently weeps 

I don’t know how you were diverted 
you were perverted too 
I don’t know how you were inverted 
no one alerted you 

I look at you all see the love there that’s sleeping 
While my guitar gently weeps 
I look at you all 
Still my guitar gently weeps 

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