Neosaldina Chick

Month: novembro, 2011

Nobreza paulistana, o guardador de golfinhos e uma terça muito louca

by Carolina Mendes

Eu não sou muito dada a demostrações públicas de bondade e fé humana. Confio em todo mundo mas costumo jogar com o meu baralho.

Segunda feira, estava como de costume cuidando da vida de escrever, ler, ouvir, ver quando minha mãe me liga pedindo ajuda: uma amiga tinha aparecido no escritório da minha mãe com uma labradora (cadela, dã) abandonada pelos donos. Me visto, pego um táxi, vou pra lá.

-Mas abandonada como?- perguntei pra amiga.

-Abandonada. Mãe e filha discutindo saíram andando, cada uma pra um lado, e largaram a cadela na calçada. Meu namorado, francês, sem entender segurou instintivamente a cadela que estava indo pra rua e ia ser atropelada e esperou por mais de 40 minutos pra ver se alguém voltava. Não voltou ninguém.  Perguntamos no posto de gasolina, bares e portarias dos prédios se alguém sabia de alguma informação mas não descobrimos nada- respondeu a amiga.

Eu, desse meu jeitão, soltei uns 18 mil palavrões e voltei a pé com a cachorra pra casa. Dando voltas pra ver se aparecia alguém. Nada.

Dei comida, dei água, fiquei sentada no chão com ela até ela se acalmar. Fui dormir.

Acordo, vamos á veterinária. Cachorra parece estar bem, receita vermífugo, seguimos pra Cobasi. Um saco de ração, uma coleira, uma guia, um pote pra água, um pote pra comida, um lugar pra dormir, o vermífugo. Volto pra casa. Até esse ponto, a cachorra havia sido abandonada e não tinha mais dono. Certo? Certo.

Diz-que-diz-que divulga, aparecem os donos da cachorra. “Os donos” porque aparentemente é de um casal desfeito. A história da mocinha, não bate com o que minha amiga me contou, o moço tentar argumentar que deve ser um engano.

Eu resisto em mostrar a cachorra até que a minha amiga faça um B.O.  dizendo o que ela viu acontecer. E que se ficasse provado que a cachorra foi abandonada, não voltaria pra mocinha que abandonou.

Só que essas jovens têm um retórica não particularmente inteligente, ou racional, ou correta, mas são cansativas, e quase histéricas, e não te deixam falar e não assumem culpa de nada. Mas falam. e choram, e se descabelam, e comovem os desavisados. Sabem o tipo? Então.

Taí o tempo todo: gente que tem 5 minutos de loucura e faz merda. Com namorado, com chefe, com mãe, com pai, no trânsito. Eu entendo que é humano e pode acontecer, mas não quando existe um ser indefeso que não sabe voltar pra casa, ou falar o que aconteceu, ou sentar e esperar alguém voltar.

Cães não são um video game que você enjoa e deixa de lado. Eles duram 10, 15 anos. Muito mais que viagens excitantes ou namoros adolescentes. É uma responsabilidade que eu não sei se muita gente que compra, porque é lindinho o filhote, tem noção.

Aí veio a polícia, e os amigos da mocinha,  do mocinho, e a mulher do zelador do meu prédio que gritava comigo, e uma montanha de gente me dizendo que tinha que devolver a cachorra. Tinha, médio. Ela foi abandonada. No meu entender.

Consegui que a coisa fosse suficientemente longa, pra minha amiga chegar e o ex da mocinha (e co dono da cachorra) ouvisse a verdade sobre o que aconteceu da boca de quem estava ali na hora. Ele foi muito simpático, me agradeceu e aceitou a condição de ficar ele com a cachorra, para que fosse devolvida sem maiores complicações.  Cachorra devolvida pro moço de olhar honesto.

A mocinha, que tenha pelo menos entendido que as ações dela têm consequências.(Olha eu que idiota achando que as pessoas atingem esse grau de reflexão sobre si mesmas e o mundo.)

Meu prédio em peso achando que eu roubei um cachorro, dado o escândalo, mas foda-se. Fiz o que considerava correto e me tranquilizei. Sangue espanhol fervendo, mas eu bem quieta voltei pra casa.

Mandei um SMS pro moço ex da mocinha (que trabalha em uma ONG que resgata golfinhos), comentando que acabei ficando uma coleira de adestramento, e fazendo um comentário simpático pra tentar melhorar as coisas.

Nenhuma resposta.

Hoje de manhã o guardador de golfinhos me aceitou no FB. No fim da tarde tinha me bloqueado.

Deve ter acreditado na história da mocinha, ou sei lá, também me acha maluca. Devo ser, ainda tento fazer mais o que é certo, fazer mais o certo e menos gritaria.

Se a coitada da cachorra voltou pra mocinha, nem na palavra de protetores de golfinhos se pode confiar mais.

O mundo vai, cada dia mais quebrado.

Babaca sou eu, que ainda tento.

Boa sorte pra coitada da cachorra, que é uma fofa e merece gente carinhosa E responsável. Boa sorte pra mim, que agora vivo sob olhares desconfiados de gente muito discreta, que não se mete na briga nem pra consertar o que é errado.

Coisas dos Jardins.

Nada não

by Carolina Mendes

Eu sei que não é novidade.

Aí eu pergunto, aos 31 anos, mudou alguma coisa?

Não. Não mudou.

2:45

by Carolina Mendes

O blog oscilando entre futebol e minhas entranhas.

Textos longos e organizados sobre assuntos externos e notas sobre… Mim, acho. Ou o que eu sou por aqueles momentos, entre o impulso de abrir a tela em branco, o gancho surgir, a verdade preencher de tempestade o que estava vazio, e surgir calma suficiente pra acender um cigarro.

Tanto cigarro e tanto whisky insones que…

Virei dessas mulheres que não deixam ninguém querido fumar um cigarro ou beber uma dose sozinho. Digo “dessas” porque não devo ser a única.

Uma dose. Um cigarro. Aquele último do dia. Aquele de depois da Nina, Ella, Billie cantarem. Aquele de deopis do texto que eu publiquei, e você sem saber  que esta ali, se pega pensando depois de ler. E precisa de uma dose, ou um trago. E eu fumo e bebo com você, cada um na sua casa, cada um no seu vício, cada um por um motivo.

Em silêncio.

Eu te prometo o cigarro sem pressa, e a dose sem medidor, sem nenhuma pergunta e nenhuma promessa. Só a certeza desses 15 minutos em que somos um da dor do outro, sem precisar entender. Ou explicar.

It’s quarter to three, there’s no one in the place
Except you and me
So set ‘em’ up Joe, I got a little story
I think you should know

We’re drinking my friend, to the end
Of a brief episode
Make it one for my baby
And one more for the road

I know the routine, put another nickel
In the machine
I feel kind of bad, can’t you make the music
Easy and sad

I could tell you a lot, but it’s not
In a gentleman’s code
Make it one for my baby
And one more for the road

You’d never know it, but buddy I’m a kind of poet
And I’ve got a lot of things I’d like to say
And if I’m gloomy, please listen to me
Till it’s talked away

Well that’s how it goes, and Joe I know your gettin’
Anxious to close
Thanks for the cheer
I hope you didn’t mind
My bending your ear

But this torch that I found, It’s gotta be drowned
Or it’s gonna explode
Make it one for my baby
And one more for the road

Venham pra Luz(a)

by Carolina Mendes

Agora é tudo festa, todo mundo, no mundo todo, feliz pela Lusa.

Assim como eu ouvi durante os últimos 6 meses que “torcer pra Lusa agora porque é moda”, eu imagino que nosso alto grau de adorabilidade contamine muitos corações decepcionados com o futebol atual e muitos venham pro lado da Luz(a).

Canindé é como coração de mãe, eu sei disso melhor que ninguém.

Se a torcida ver verdade nos seus olhos, você será aceito. Você poderá comprar Brahma do peruano que fica na boca do portão principal, poderá comer bolinho de bacalhau e tremoço. Se tiver verdade, coração e amor por futebol vai se encantar e voltar muitas e muitas vezes.

São bem vindos todos os que queiram ensinar os filhos a ficarem na arquibancada acompanhando a bola. E os que deixam as crianças irem brincar, ou comer mini pizza, ou hot dog. Sem neurose. Aprender a transitar sem medo e amar o futebol. Amar seu estádio. Conhecer sua gente.

Agarrar o alambrado pra gritar amor ou ódio momentâneos pelos jogadores, técnicos e árbitros. E sentir ali naquela arena todo o turbilhão de emoções que nossa vida regrada, medicada, adoçada e bem comportada não nos deixa mais viver plenamente porque é contraproducente.

E quando você perceber, vai estar enforcando a tarde no trabalho, buscando os filhos mais cedo na escola pra verem a Lusa jogar. E pra cada tarde e noite de Canindé vai ganhar uns bons meses de vida.

Tabu? 4 gols acabaram com o tal do tabu.

Somos gente que chora com o maestro João Carlos Martins tocando o Hino, no meio do nosso gramado, mão direita quase paralizada no piano, por amor a Lusa. Ele sabe que não somos os tombos, mas a superação.

Somos gente que recebe medalha da Série B  e comemora como se tivesse vencido a Libertadores.

Se isso são coisas que os corações de vocês podem suportar, sejam bem vindos.  Cheguem com calma, comam um bolinho, assistam o jogo e se despeçam da pessoa do seu lado com um honesto “até o próximo”. Acreditem, vai ter um próximo. E seremos cada vez mais, e mais apaixonados.

Vejo você em 2012, Canindé. Descanse nas férias, que ainda é só o começo.

<3

OBS1: Pra quem não sabe a história do nosso maestro, segue o vídeo.

OBS2: resmunguenta: Gente, queria ficar pra festa. Mas axé? Sério? Foi o entusiasmo demonstrado durante todos os intervalos roqueiros que deu essa genial ideia pra vocês? Fica puxado comemorar com axé. Somos uma raça única. Não avacalhem. 

“If i had a heart, it would be broken”

by Carolina Mendes

Disse o Dexter.

Já eu que tenho o coração entre as pernas, e o cérebro no peito e a cabeça vazia, vivo com ele mais quebrado que funcionando.

E eu não trocaria isso por nada.

Tempos confusos e estranhos. De começos, recomeços, últimas chances e mudanças definitivas. Tudo junto e misturado. That’s the Calorina way. Atualmente quietinha, mas de olho nas inboxes todas.

Ele volta.

Eu sei que volta.

Nem que seja pra buscar o pedaço de si que deixou comigo. I keep it in a jar.

Desculpe Drauzio, mas não é momento de abandonar os vícios. Eles atualmente são a minha Caras vencida na sala de espera.

Tô aqui. Espiando os outros pacientes. Só esperando a minha vez.

Piranha de Família

by Carolina Mendes

Mulheres são criaturas complexas (não que homens não sejam)(mentira, não são). E você que simplifica nossa fauna entre “presta”e “não presta”, logo vai ter que rever seus conceitos. Ou você vai se foder, ou uma mulher vai te foder.

Somos complexas e em constante mutação. Adaptação, baby. Muitas sutilezas, manhas e segredos nos diferenciam umas das outras e abrem um leque lindo e rico de malucas, doidinhas e psicopatas que mais que certas ou erradas, estão amando do seu jeito por aí.

Segue.

A piranha de família é aquela que dá pra você no primeiro encontro, se assim quiser. É aquela que não vai cobrar nada, não vai supor que a trepada vai virar um namoro e não vai imaginar ligação ou conexão alguma. Não vai forçar um romance mas vai te olhar apaixonada por uma noite.

A piranha de família espera que o moço ande do lado de fora da calçada, que a sirva de mais vinho antes que a taça se esvazie. Porque ela sabe que abrir a porta do carro é truque comum e ordinário que se aprende em novela. Mas existe uma infinidade de outros cuidados que demonstram que aquele é um pegador de família.

A piranha de família não se importa com a marca do seu carro, ou com o seu trabalho, com o seu passado ou com o futuro de vocês. Ela se oferece pra dividir a conta e não julga se você aceitar.

Ela quer dar pra você por razões que muitas outras mulheres nem enxergam. Ela quer dar pra você porque a combinação do seu cérebro, sua pele, o som da sua risada e a largura dos seus ombros parece perfeita. E se você perguntar pra ela, porque ela gosta de você e ela responder sorrindo “porque sim”, você vai entender tudo que está implícito.

A piranha de família é boa filha, boa irmã e boa amiga. A piranha de família joga qualquer trepada no lixo pra socorrer qualquer um dos seus amores.

Dificilmente dá uma vez só. Não porque force um segundo encontro, mas porque dá com tanto gosto que você volta querendo mais daquilo como se fosse uma droga. “Booty call” com amor.

A piranha de família não sente culpa pela voracidade sexual dela, ou pelo olhar eternamente apaixonado. Não tem pressa, não tem medo e não tem um plano. Vai te amar infinitamente por uma noite, se o whisky descer gostoso, se tocar uma sequênca de músicas que ela adore.

Se quando os braços de vocês se tocarem no bar ela sentir eletricidade.

A piranha de família odeia as piranhas comuns por vulgarizarem a sexualidade que ela considera seu maior tesouro. Odeia as namoradas e esposas negligentes, que matam de fome os amores dos homens que acabam com um olhar nublado, como se tivessem desenvolvido uma névoa de catarata com a morte do amor.

Essa névoa, a piranha de família sabe que se desfaz quando ela ri das piadas e toca esses homens. Piranhas de família olham com doçura e sorriem tímidas enquanto sentem um arrepio e a umidade crescendo entre as pernas.

E ela poderia ser só sua se ela assim quisesse e você merecesse.

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